DESTAQUE

“Não consigo emprego por causa do meu cabelo”

Há quem diga que não existe racismo no Brasil. Que a miscigenação fez o povo brasileiro ser muito mais tolerante com relação às diferenças étnicas. Algumas mulheres que ostentam o cabelo black power ou penteados típicos da cultura negra não concordam com isso, principalmente no mercado de trabalho. Dona de fios crespos e armados, Dayane Rodrigues, da cidade de São Paulo, narrou nesta segunda-feira (16), em seu Facebook, o tipo de situação que as negras passam frequentemente durante uma entrevista de emprego. “Eles sequer olharam para o meu currículo. Só mandaram um: ‘Com este cabelo você não vai ser contratada'”.

Na semana da Consciência Negra, o UOL buscou alguns depoimentos de mulheres que já sofreram preconceito no ambiente de trabalho por causa do cabelo afro:

“Black não condiz com sua formação”

“Já ouvi diversas vezes que meu cabelo não condiz com a minha formação. As pessoas não esperam que uma mulher negra seja formada em administração e muito menos que ela use black. Já aconteceu em um processo seletivo o entrevistador com o meu currículo na mão chamar o meu nome e, ao me ver levantando, dizer: ‘Não chamei você. Chamei a Kelly'”. (Kelly Cristina Nascimento, 29 anos, de São Paulo (SP)

 

“Faz chapinha para ver os clientes”

“Em 2012, fui trabalhar como analista de social media em uma agência e eventualmente teríamos que visitar clientes. O dono da agência disse que, quando eu fosse falar com os clientes, eu deveria fazer chapinha. Na época, eu não tinha a noção de que isso era uma demonstração clara de racismo”. (Taís Oliveira, 25 anos, de Guarulhos (SP))


“Boa aparência”

“Uma amiga arrumou para mim um emprego de babá. Ela contou para a contratante que eu tinha cabelo cacheado e a mulher perguntou se ele era ‘para o alto’. A contratante pegou, então, o meu contato e viu a minha foto no Whatsapp. Mas, por causa da química que eu usava na época, o meu cabelo caiu e tive que cortá-lo bem baixinho. Quando cheguei na casa da família, a mulher ficou em choque e a primeira coisa que perguntou foi o que tinha acontecido com o meu cabelo. Depois, ela disse que tinha gostado do meu currículo, mas que a aparência também contava porque eles eram da alta sociedade, frequentavam lugares importantes e que, provavelmente, eu também iria. Ela tinha seis funcionários na casa: cinco eram negras e o motorista branco. Todas as negras tinham o cabelo liso” (Dayana da Silva Santiago, 27 anos, de Itaguaí (RJ))


 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Veja Também
lelia gonzales
População negra: a colonização como origem de sua marginalização
foto resistencia negra
História e Educação propostas pelo Movimento Negro: formas de resistência
Tarimba e Mandinga
Tarimba e Mandinga em Guarujá
image_6483441
Os 20 anos da Lei 10.639 e suas implicações
Loja Produção Preta

Seja um Colunista da Produção Preta

Deseja ser um colunista de nosso site??? Preencha o formulário abaixo que nossa equipe entrará em contato

Carrinho de compras0
Não há produtos no carrinho!
Continuar comprando
0